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Histórico

A Fundação Stickel foi instituída em São Paulo em 31 de Dezembro de 1954, pelo casal Martha Diederichsen Stickel e Erico João Siriuba Stickel. No entanto, a história da instituição tem início com a chegada de Ernesto Diederichsen à cidade serrana de Campos do Jordão, SP, na década de 1940. Ali o industrial do setor têxtil, natural de São Paulo, construiria em 1943, associado a seu genro Luiz Dumont Villares, o Hotel Toriba, um dos primeiros grandes hotéis da cidade.

Sensibilizado pela pobreza e pelas más condições de saúde em que viviam moradores e ocupantes dos sanatórios da cidade, iniciou nessa época com sua esposa Maria Elisa (Lili) Arens Diederichsen, um trabalho de assistência social, com a criação do “Grêmio Bernardo Diederichsen” (homenagem a um filho falecido precocemente). A instituição atendia as famílias que ali se instalavam, geralmente em favelas e moradias precárias, para acompanhar o tratamento contra tuberculose de seus parentes internados. Esse atendimento incluía distribuição de remédios, alimentos, agasalhos e tratamento médico.

Após o falecimento de Ernesto em 1949, a responsabilidade pelas obras assistenciais foi assumida por sua filha Martha e seu marido Erico, cuja atuação acabou por se transformar, em 1954, na Fundação Beneficente Martha e Erico Stickel. Em imóvel próprio situado no bairro de Abernéssia, em Campos de Jordão, a Fundação se organizou para suprir as carências mais imediatas da população desprotegida, prestando um serviço assistencial completo e gratuito, com consultório médico e dentário, raios-X e ambulância. A instituição manteve suas atividades até a década de 70.

Renascimento com arte

A entidade, após um período de inatividade, iniciou sua reestruturação em 2004. A razão social foi reduzida para Fundação Stickel, sua área de atuação passou a ser a capital paulista e a arte ganhou espaço, ao lado do trabalho social e assistencial.

A cultura e a arte já estavam no DNA da família, uma vez que Erico Stickel, colecionador de arte, bibliófilo e estudioso da arte brasileira do Século XIX, contribuiu significativamente para a história da arte no Brasil, reunindo um dos mais interessantes acervos sobre o assunto, experiência relatada no livro "Uma pequena biblioteca particular - Subsídios para o estudo da iconografia no Brasil” (Edusp, 2004).

Na mesma época, Fernando Stickel, filho dos instituidores, assumiu o comando da instituição e redefiniu sua missão, que passou a ser a de agregar a atuação da entidade na arte brasileira e contemporânea ao trabalho em comunidades com altos índices de vulnerabilidade social.

Em nova fase, a Fundação Stickel realizou diversas atividades culturais como exposições, edição e distribuição gratuita de livros, programas educativos e de pesquisa, dando início também ao seu acervo de obras de arte.

Desenvolvimento social

Em 2007 nasceu o primeiro programa social próprio, "Mulheres de Talento", que teve como objetivo principal a geração de renda para mulheres da Vila Brasilândia, distrito da Zona Norte de São Paulo.

Entre 2008 e 2009, desenvolveu o "Programa Ação Família - Viver em Comunidade" em parceria com a Prefeitura da Cidade de São Paulo, que resultou em um rico processo de construção e aprendizagem.

Em 2010, a Fundação consolidou sua atuação na Vila Brasilândia, região que se destaca por registrar um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado e por possuir uma das maiores taxas de vulnerabilidade de São Paulo, contando com um grande número de mulheres chefes de família, desempregadas e com baixa escolaridade. Concentrando suas ações no território, buscou colaborar para o desenvolvimento da região por meio de ações nos eixos econômico (geração de renda), social, educacional e cultural, em diversos espaços da comunidade e por meio de parcerias com o poder público e outras organizações religiosas e sociais.

Essa mudança teve como finalidade possibilitar um conhecimento mais profundo do contexto em que as ações são realizadas; concentrar os investimentos e ampliar o potencial de impacto das ações, bem como propiciar um monitoramento mais efetivo dos resultados obtidos.

Consolidação

Ao longo dessa trajetória a Fundação vem buscando ativamente o amadurecimento institucional, que tem resultado em mudanças de paradigma de atuação. Tal processo culminou no realinhamento do posicionamento estratégico e ajustes em sua missão. Em 2011, com o apoio do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, a Fundação Stickel redefiniu sua missão, tendo como objetivo “promover a inclusão social, cultural e econômica de pessoas e comunidades por meio das artes visuais”.

Em 2012 a Fundação iniciou parceria com a Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura situado na Zona Norte da Capital, desta forma todas as atividades desenvolvidas pela Fundação como cursos, oficinas e exposições serão lá realizadas.